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quinta-feira, 11 de abril de 2019

Música porque sim

Ana Mafalda Pernão, Professora, na
 Escola Artística de Música do Conservatório Nacional, Lisboa
A música é algo que todos nós, mais do que simplesmente ouvir, sentimos. Dizemos “gosto desta cantora” ou simplesmente “esta música dá-me vontade de dançar” ou ainda recordamos factos passados porque “esta música passou no nosso casamento”. Ela é talvez, sem grande margem de erro, a arte mais presente no nosso dia-a-dia, e aquela que mais facilmente todos nós podemos praticar. 

Apesar disso, a música ainda afasta da sua prática grande número de pessoas no nosso país, as quais consideram que não “sabem nem percebem” nada de música. Embora a música esteja tão próxima de nós, muitos pensam que os conhecimentos que têm não são suficientes para se abalançarem a fazer música eles próprios. 

Só com uma prática musical desde o pré-escolar podemos encorajar cada uma das nossas crianças a tomar a música como meio de expressão para a sua vida, conhecendo a sua linguagem de forma a apreciar e fazer música retirando toda a satisfação que ela proporciona. 

A prática musical é mais uma competência para enfrentar o novo mundo global, para além de complementar a estruturação de cada um de nós. Com ela ajudamos a construir o capital cultural que cada um utilizará na sua vida. 

A música tornar-se-á um saber incorporado, constituindo mais uma ferramenta que pode desenvolver para o futuro. E se for sua vontade, a porta do ensino especializado artístico será aberta para um estudo mais aprofundado, para um novo caminho a percorrer, no sentido de uma formação como músico profissional. 

É preciso defender que a prática da música se torne efetiva e de qualidade no ensino obrigatório desde o seu início, com uma verdadeira expressão no currículo, e lecionada por docentes específicos. 

É preciso criar a ligação entre o ensino genérico e especializado da música, dando maior coerência às ofertas hoje existentes, de forma a aproveitar e apoiar as iniciativas de valor comprovado que possam ser integradas no sistema. 

É preciso valorizar o saber dos docentes de música e promover a sua participação na construção dos cidadãos do futuro. 

Ana Mafalda Pernão

#UMSPGLAINDAMAISFORTE
@UMSPGLAINDAMAISFORTE

terça-feira, 9 de abril de 2019

Professores de SANTARÉM por “Um SPGL ainda mais forte”

Queremos um movimento sindical forte para reconquistar a dignidade da profissão, o tempo de serviço que nos foi negado, valorizar a Escola Pública e criar condições de trabalho para um ensino de qualidade 

Luísa Teixeira Barbosa, Professora na
EB Alexandre Herculano, Santarém
Santarém orgulha-se de ter sido a cidade de onde partiu a coluna militar liderada por Salgueiro Maia, um capitão de grande coração, de princípios e coragem inabaláveis, que deu voz de prisão à ditadura que durara 48 anos. 

Considero-me uma cidadã e professora empenhada na sua carreira, no sucesso escolar dos seus alunos, no diálogo constante e colaborativo com os encarregados de educação, e também empenhada num forte movimento sindical, imprescindível à democracia e à manutenção dos direitos que valorizem a Escola Pública e a Dignidade docente 

O Direito à educação e à cultura foi um dos direitos aprovados pelas democracias europeias, após a segunda Grande guerra. Num país obscuro e frágil, onde a ditadura sonegava os direitos do homem, com um atraso cultural abismal, antes do 25 de Abril, foi em 1974 que estes direitos se inscreveram sem qualquer dúvida ou hesitação na Constituição de 1976. E, nos primeiros quarenta anos viu esses números e/ou estatísticas melhorar porque, o esforço da democracia se virou para melhorar as condições de vida dos atores da educação ( com melhores condições de trabalho, melhores escolas e equipamentos escolares, com melhores salários, mais auxiliares educação, melhor formação, uma Lei de Bases do Ensino invejável por todos os governos da Europa… 

Decorridos já 45 anos de democracia, tal já não se pode considerar verdade absoluta! 

E desengane-se quem pense que a democracia e a liberdade são bens estáveis e imutáveis. 

Os professores depararam-se nos últimos anos com uma degradação da sua carreira, com reformas irreais e irrefletidas que se espelhou no desgaste e deterioração das condições de trabalho, diminuição do sucesso escolar e degradação das relações na escola, que só se poderá explicar pelos ataques constantes à função pública e principalmente aos 4 pilares da democracia nos quais se integra a Educação. Tais ataques pretendem fragilizar um corpo docente competente e responsável pelas capacidades que os jovens de hoje vão espalhando, nas empresas e noutras instituições, por todo o mundo. Tal deterioração não se poderá explicar se não unicamente explicar pelos valores materialistas e economicistas, pelos quais se regeram e regem ainda alguns líderes da Europa os quais fomentam crises ficcionadas e notícias falsas que afetam a vida da Escola negativamente. 

O movimento sindical precisa de todos nós, precisa de quem resista e acredite que trabalhando será possível…pois queremos reconquistar a dignidade da profissão, o tempo de serviço que nos foi negado, valorizar a Escola Pública e criar condições de trabalho para um ensino de qualidade. 

Em Santarém queremos um SPGL ainda mais forte… 

Luísa Teixeira Barbosa 

Sócia SPGL 44477, sindicalizada desde 1982/83 

Professora do Ensino Básico, 2º ciclo, na Escola Básica Alexandre Herculano, em Santarém

@UMSPGLAINDAMAISFORTE
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sexta-feira, 5 de abril de 2019

As Mulheres e a Igualdade de Género nas Escolas


Virgínia Baptista.
Professora
na Escola Artística António Arroio
Este texto evoca o mês de março. O mês do Dia Internacional da Mulher. O mês que se designou para relembrar a luta e a prática pela igualdade entre mulheres e homens. O mês em que se relembra as feministas, desde os primórdios aos atuais feminismos, que envolvem as mulheres e os homens. 


Pela análise do DGEEC, 2018, as mulheres constituem 78,0% dos docentes, assim distribuídas por níveis de ensino: educação pré-escolar: 99,1%; 1.º ciclo: 86,9%; 2.º ciclo: 72,2%; 3.º ciclo e secundário: 71,8%. 



Contudo, apesar das mulheres estarem em maioria na profissão, verifica-se que o mesmo não acontece nos cargos de gestão das escolas e os próprios documentos oficiais mantêm uma linguagem masculina. É a esta maioria de profissionais, e aos seus colegas professores, que o Ministério da Educação vedou a progressão nas carreiras pelo congelamento dos 9 Anos, 4 Meses e 2 Dias de serviço efetivo realizado. 



Relembremos que tem sido árdua, de resistência, mas de muita persistência a luta das mulheres, neste caso na Europa ocidental. Uma das precursoras, Mary Wollstonecraft, em 1792, no livro “Uma Vindicação dos Direitos das Mulheres”, inspirada nos Direitos do Homem, em França, reivindicou um papel social para as mulheres do seu tempo, nomeadamente o acesso à educação. Em 1929, Virgínia Woolf em “Um quarto que seja seu”, ensaio baseado em palestras, defendeu a importância de um local privado para as mulheres escritoras, nesta mesma sociedade patriarcal. Duas décadas mais tarde, em 1949, Simone de Beauvoir em “O Segundo Sexo” analisou a opressão vivida pelas mulheres, num tempo saído da 2.ª Guerra Mundial, em que estas já tinham habituado esta mesma sociedade patriarcal à sua integração no mercado de trabalho. Porém, na análise histórica o mundo era visto no masculino; a mulher era “o outro”, o ser identitário que se pretendia neutro. 


É nesta continuidade de reivindicações que defendemos a igualdade entre professores e professoras, entre todos os profissionais do ensino, quer a nível dos cargos de gestão nas escolas, quer nas direções sindicais. 


Nas Escolas, como nas ruas, só a Igualdade de Género tem sentido. Daí a razão da defesa Para um SPGL mais forte. 



Virgínia Baptista.

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quinta-feira, 7 de março de 2019

8 de Março - Dia Internacional da Mulher


Natália Bravo
A CGTP ao considerar a igualdade entre mulheres e homens, como um dos seus objetivos centrais e prioritários promove, para o dia 8 de março, um conjunto de ações públicas a nível nacional, apelando à participação de todos no combate às desigualdades e às formas de discriminação que continuam, persistentemente, a dificultar as condições laborais, sociais e familiares na vida da mulher, condicionando ou mesmo impedindo o seu direito à felicidade. 

A importância desta luta, sob o lema “Avançar na Igualdade – Com Emprego de Qualidade!” deverá levar os sindicatos a mobilizar forças para, durante todo o ano, continuar e intensificar a luta pelos direitos da Mulher. 

O Dia Internacional da Mulher assim designado pelas Nações Unidas a 8 de março de 1975, lembra as conquistas sociais, políticas e económicas das mulheres, já com uma longa história de luta, nomeadamente a partir da Primeira Grande Guerra. 

No nosso país, não obstante a evolução e os progressos alcançados, no plano legislativo, as desigualdades de oportunidades e de tratamento das mulheres face aos homens, quer no setor laboral quer na sociedade, não só não foram eliminadas, como há fortes e claros sinais de retrocesso. 

Ao mesmo tempo que muitos e velhos problemas continuam por resolver e muitos direitos permanecem por cumprir, emergem novos e preocupantes questões, agora relacionadas com a vaga de violência que se tem abatido sobre as mulheres e que põem em causa a sua segurança e, nalguns casos, o seu direito à vida. 

Sobre o trabalho feminino e segundo um estudo levado a cabo pela CGTP, as mulheres trabalhadoras estão cada vez mais sujeitas à desregulação da vida laboral, com implicações negativas na organização da sua vida pessoal e familiar e na sua saúde progressivamente afetada pela intensificação e prolongamento dos horários e ritmos de trabalho. Em Portugal as mulheres trabalhadoras representam 70% no total das doenças profissionais, sendo a maioria das incapacidades resultado de lesões músculo-esqueléticas. 

Além de continuarem a ganhar menos que os homens, a ocuparem a maioria dos empregos precários e a somarem às horas de trabalho laboral mais horas diárias que os homens, nas tarefas familiares com a casa, filhos e dependentes idosos, as mulheres são também as principais vítimas de assédio patronal. 

Assim, no trabalho, na rua, junto com a Comissão para a Igualdade entre Mulheres e Homens da CGTP-IN e demais organizações e instituições que lutam pela defesa dos direitos da Mulher é imperioso intervir com todas as formas ao nosso alcance para alterar a atual situação da mulher conferindo e respeitando os seus direitos à dignidade profissional, à segurança, à proteção, ao direito de ser mulher cidadã em liberdade. 

No dia 8 de março estaremos em

· Santarém  - 11h00 às 14h00: Ação Pública no Largo Cândido dos Reis, em Santarém. 

· Lisboa - 14h30: Tribuna Pública de Canto e Luta, na Rua do Carmo (Rossio), em Lisboa - Com a participação do secretário-geral da CGTP-IN. 

· Setúbal - 16h00: Concentração e desfile, da Praça do Bocage até à Tribuna Pública, no Largo da Misericórdia, em Setúbal. 


Esta será uma área que valorizaremos no nosso trabalho futuro. 


Por um SPGL ainda Mais Forte! 


Natália Bravo